sábado, 25 de julho de 2009

Ler para quê?

Ler para quê?
Muitas pessoas estranham ao ver alguém com um livro a tiracolo, dando a impressão que está é uma atividade que só deve ser realizada quando for obrigatória. Será tão difícil conceber a literatura para além de uma atividade/disciplina/conteúdo escolar?
Me pergunto qual o papel da escola na construção de uma concepção da leitura como fonte de prazer. Como estimular a leitura, o gosto pelos livros?
Outra questão que lateja em mim é: como ou de onde veio/nasceu este gosto pelos livros?
Sempre que me pergunto uma das primeiras ideias que são resgatadas da lembrança é sobre os livros que deixei de ler; as leituras escolares obrigatórias que não fiz.
Na 5ª ou 6ª série, quando as férias de inverno se estendiam por todo mês de julho e os professores sempre deixavam muitas tarefas para serem realizadas neste período de recesso escolar. Lembro-me que a profª de Português ordenou que lêssemos um livro de livre escolha, sobre o qual no retorno das férias realizaríamos uma atividade. Eu consegui ler apenas alguns trechos e sequer lembro-me do nome ou história do mesmo.
Entretanto os relatos dos colegas sobre esta tarefa motivaram a leitura de diversos livros da coleção Vaga-lume. Um rosto no computador, Um cadáver ouve rádio, O mistério do Cinco estrelas, Enigma da Televisão, Bem-vindos ao Rio, são apenas exemplos. (Fique registrado que não precisei recorrer a nenhum registro impresso ou digital para saber os títulos dados de exemplo).

No Ensino Médio duas situações de não-leitura estão bem vivas na minha memória:
1ª) No 1º ano a profª de Português iniciou o ano indicando os oito livros que deveríamos ler, sendo dois por bimestre e sobre os quais faríamos uma dissertação. Resultado: no bimestre que não li nenhum dos livros, apenas ouvi e reproduzi oralmente as histórias minha redação teve nota mais alta do que quando havia lido.

2ª)Acho que no 2º ano (não tenho certeza) o velho Prof. Renildo solicitou a leitura de qualquer obra de Moacyr Scliar. Peguei na biblioteca o livro "O exército de um homem só", renovei umas cinco vezes e não consegui terminar, até por que enrolei tanto na leitura que já nem lembrava mais. No final das contas acabei fazendo o trabalho com o livro que o João leu (Cavalos da República) e contou para nosso grupinho a história. No final, já estava contando a histórica como se tivesse lido o livro diversas vezes.
Difícil entender, não é?
A conclusão que chego é que travo diante da obrigatoriedade, ao mesmo tempo em que sou influenciada pelas leituras e histórias alheias...

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